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Como recuperar de pernas completamente “destruídas”

Todos os corredores de longas distâncias sabem que é preciso recuperar bastante bem de semanas intensas de treino, ou de competições onde tiverem grande desgaste. Como por exemplo numa maratona, um numa prova de ultra trail. Quem faz corridas de longas distâncias e quem faz trail, por norma costuma fazer aquelas coisas normais e mais básicas que é do conhecimento comum. Tais como a crioterapia, dormir bem, alimentar-se bem, mas quando se tem as pernas completamente “destruídas” é preciso ter uma abordagem algo diferente no que toca à recuperação. Sob pena de estar a entrar em overtraining e contrair uma lesão.

Pequenas dicas para recuperar de pernas completamente destruídas

Quem é corredor de longas distâncias ou faz trail, sabe que chega a um ponto da época em que as pernas estão completamente “destruídas”. Isto é um fator comum a todos os atletas, quer sejam profissionais ou corram por gosto pela modalidade. Quando se chega a este ponto de fadiga total, as coisas mais comuns tais como banhos de gelo, dormir bem, alimentar-se bem não são o suficiente. A abordagem tem que ser algo diferente, e terá que ser uma recuperação mais a longo prazo e não tão imediata.

Recuperação a nível físico

Neste ponto em que as pernas estão de tal forma “destruídas”, é chegado o momento de abrandar um pouco o ritmo de treino e competições. Eu sei que para muitos atletas abrandar ou parar por alguns dias é algo impensável, acham que vão perder todo o trabalho realizado anteriormente. Se também pensa desta forma então está a pensar erradamente! A recuperação tem que ser alongada mais no tempo, terá que abrandar o ritmo de treino e competição pelo menos por um período de três semanas.

Durante três a quatro semanas faça treinos menos intensos, dê mais prioridade à recuperação ativa. Faça exercício, mas com pouca intensidade, faça outros desportos tal com andar de bicicleta. Dar uns passeios de bicicleta é sempre ótimo. Se tiver que parar e não fazer nada durante 2 ou três dias faça-o, o seu corpo também vai agradecer acredite! Em termos competitivos a abordagem também tem que ser algo diferente, não faça nenhuma competição durante pelo menos 4 a 5 semanas. Se não resistir então escolha uma competição mais curta, 10 km no máximo. A chave é dar descanso ao organismo e não stressa-lo ainda mais!

Recuperação a nível psicológico

Com a fadiga física vem por acréscimo a fadiga mental, a fadiga mental por vezes tem mais impacto negativo que a física. Quando se está num ponto de fadiga física total, o corpo por norma não reage bem ao que o cérebro manda. Logo o cansaço é maior e as performances não são as melhores. Por consequência o desanimo é maior, as duvidas começam a surgir na sua mente. A vontade de treinar e competir começa a ser menor, já não sente prazer em correr. Todos estes sintomas é o soar do alerta do organismo, que está na altura de parar por alguns dias.

Neste período em que o cansaço é total quer a nível físico e psicológico, se não lhe apetecer ir treinar não vá, não se sinta mal por isso. Neste período é preferível que pare para o cérebro também se recuperar. Faça coisas que lhe dão prazer durante alguns dias, e não pense tanto nos treinos e competições. Dê descanso ao cérebro, este também precisa. É preferível parar e voltar a correr quando sentir vontade, e tiver prazer em o fazer.

Todos os grandes atletas de elite durante a época têm períodos de treino menos intensos, fazem algumas semanas de recuperação ativa e não fazem rigorosamente mais nada! Há muitos, que fazem mesmo anos sabáticos em que nem sequer competem, tal é fadiga psicológica em que se encontram de vários anos intensos de treinos e competições.

Quando sentir as pernas de tal forma “destruídas” em que sente que “elas” já não dão mais, a chave é mesmo PARAR ou ABRANDAR!

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4 Responses

  1. Mass Body diz:

    Então “aquelas coisas normais e mais básicas” não incluem massagem desportiva? “Todos os grandes atletas de elite” sabem que a massagem é essencial, quer como preparação quer como recuperação! Até nos atrevemos a dizer que se todos recebessem massagem desportiva, provavelmente não teriam as pernas “tão” cansadas…

    • Corre Salta Lança diz:

      Sim tem razão a massagem desportiva também é fundamental. Só não foi referida no artigo, porque o corredor casual por norma não faz massagem! Não tem acesso às massagem, e não pode ou não quer pagar para fazer massagem. Como é óbvio os corredores de elite têm acesso, porque os clubes proporcionam condições que o corredor casual não tem!

      • Mass Body diz:

        É verdade e em parte tem razão, mas quando o corredor amador paga viagens, estadias, inscrições, muitas vezes a países distantes e diversas vezes por ano para ir fazer uma prova, quando compra o último gadget de 400,00€ apesar de o que tem estar operacional, quando compra o 5º ou 6º par de ténis porque os últimos já tem 500km… e por ai fora, fica difícil aceitar que é apenas por falta de verbas que não faz massagem… ou seja, até poderia pagar, mas não vendo grande vantagem nem sendo um “bem palpável” o mais correto é não querer pagar.
        Também é cultural e fruto de desconhecimento das vantagens que pode obter.
        Existe ainda muito trabalho a fazer na credibilização, divulgação e esclarecimento sobre esta área e isso, diga-se, deve ser responsabilidade dos próprios profissionais terapêutas.
        Na Mass Body fazêmos os possíveis por esclarecer, quer com artigos no nosso site, quer no Facebook, por exemplo.
        Aos poucos vamos assistindo a um crescendo de amadores que percebem as vantagens e, pelo menos uma vez por mês recebem massagem desportiva.
        Haveria muito a falar sobre este assunto e através deste meio é difícil… quem sabe um dia um nos entrevistam… 🙂
        Abraço e continuação de sucesso para o Corre Salta Lança!

        • Corre Salta Lança diz:

          Concordo plenamente com tudo o que escreveu, a falta de verbas na maioria dos casos não é desculpa.
          Mas como também referiu e muito bem, é cultural não dar importância ás coisas que realmente interessam, para a evolução desportiva.
          Como o treino invisível por exemplo, na qual inclui as massagens desportivas, ou dormir e recuperar bem.
          O corredor casual, já vai estando mais informado sobre certas coisas que pode fazer para evoluir como atleta. Mas mesmo assim, ainda não faz o suficiente.
          E já obrigado pelos seus comentários, são sempre bem vindos!

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