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Flexibilidade vs Mobilidade – Será a Mesma Coisa?

É recorrente ver nos programas de treino em ginásios objetivos de treino como: emagrecimento, aumento de força muscular, definição muscular, aumento da capacidade cardiorrespiratória e aumento da massa muscular, no entanto poucos praticantes têm como principal foco o melhoramento da mobilidade e/ ou flexibilidade.

Flexibilidade

Geralmente só os praticantes de Yoga e Pilates (e alguns profissionais de exercício) percebem a real importância destas variáveis.

Programas de treino com exercicios especificos, para indivíduos com alterações posturais, dores na coluna, alterações de pressão arterial, colesterol, diabetes tipo II, são agora cada vez mais recomendados pelos médicos como promoção da saúde e bem-estar, mas apenas a indivíduos acima dos 45-50 anos estão nesta lista. Como tal é importante prevenir este tipo de problemas e realizar esse tipo de prescrição a indíviduos mais novos de forma a prevenir e evitar consequências maiores no futuro. De referir que , melhorar a flexibilidade e/ ou mobilidade não está na lista das principais capacidade biomotoras desejadas, diferente da resistência aeróbica e força muscular. (Guiselini, 2012)

Corpo Humano

Encontramos hoje na sociedade moderna e após a revolução industrial uma grande quantidade de pessoas com problemas posturais, resultantes de um estilo de vida sedentário, avanço tecnológico e movimentos repetidos. Muitas pessoas passam mais de metade do dia sentadas, (quase sempre com más posturas) seja em frente do computador a trabalhar, a jogar, a conduzir ou a ver televisão (muito provavelmente em sofás que promovem ainda pior postura).

Como consequência disso a incidência de lesões na zona cervical e lombar e síndrome do tunel cárpico bem como a obesidade tem aumentado exponencialmente (NASM,2012)

O treino de flexibilidade é considerado um aspecto importante para aumentar e melhorar o desempenho em inúmeras modalidades deportivas bem como a componente física relacionada à promoção da saúde e bem-estar e mais importante ainda, ajuda na prevenção de um grande número lesões musculo-esqueléticas.

Atletas ou praticantes com melhor flexibilidade têm menor risco de lesões comparativamente aos menos flexíveis e estes podem ter melhor desempenho físico se este aspeto for corrigido.

No entanto tenho estando a falar em flexibilidade  e mobilidade  e segue-se uma questão: são estes conceitos idênticos ou serão estes diferentes?

O conceito de flexibilidade- (NASM (2012)

Flexibilidade é descrita como a capacidade de movimentar uma articulação num completo ângulo de movimento-Flexibilidade a que chamamos amplitude de movimento (AM). A amplitude de movimento é determinada pela extensibilidade normal de todos os tecidos moles que a circulam. O controlo otimizado do movimento é referido como amplitude de movimento dinâmica , que passa a ser a combinação da flexibilidade e capacidade do sistema nervoso de controlar a amplitude de movimento eficientemente.

Para Barbanti, 2010, a flexibilidade é uma propriedade intrinsinca dos tecidos moles do corpo que determinam a amplitude de movimento conseguida numa articulação ou num grupo de articulações, ou seja, da viscoelastecidade dos músculos, ligamentos e outros tecidos.

MobilidadeMobilidade consiste na capacidade de mover um segmento corporal num amplo arco de movimento. Este conceito está intimamente ligado ao movimento voluntário, ao contrário da flexibilidade que é um conceito essencialmente passivo. Por esses conceitos podemos concluir que mobilidade e flexibilidade são conceitos bem distintos, um consiste na amplitude que pode ser alcançado de forma natural e a outra envolve forças externas.

A mobilidade é a capacidade para executar movimentos dentro de uma amplitude de movimento. Este é um dos cinco elementos básicos que determinam a performance física do indivíduo. A mobilidade pode ser dividida em dois componente: flexibilidade e capacidade de extensão. A primeira depende das articulações e discos e a extensibilidade depende dos músculos, tendões, ligamentos e das capsulas articulares. (Schneider et al, 1995)

Um bom exemplo de mobilidade é durante o agachamento quando o praticante é capaz de manter os calcanhares em contacto com o solo enquanto as coxas estão paralelas ao solo. O agachamento envolve multiplas articulações e músculos. (Cook, 2003)

É possível ser muito flexível e pouco móvel assim como é possível ser muito móvel e pouco flexível, isso ocorre porque o conceito de mobilidade vem atrelado também a um conceito de força. Uma flexão da coxa ativa não alcançará uma grande amplitude sem que os músculos abdominais (locais e globais) estejam fortes, mesmo que o indivíduo consiga grandes amplitudes numa flexão da coxa passiva.

Percebendo a diferença agora entre estes dois conceitos há exercicios diferentes para estas duas variantes, exercícios de mobilidade articular e exercicios de flexibilidade.  Os primeiros são mais recomendados no inicio de um treino como forma de «aquecer» o corpo e preparar os músculos com melhor amplitude de movimento e os segundos devem-se focar mais após um treino onde os músculos já aquecidos têm mais elasticidade e pode-se tirar melhor proveito por aí.

Segue uma sequência de exercícios de mobilidade articular.

Mobilidade Articular

Seguem alguns alongamentos:

Alongamentos

Porque devemos treinar a flexibilidade?

  • Corrigir desequilibrios musculares
  • Aumentar a amplitude da articulação
  • Diminuir a tensão excessiva dos músculos
  • Melhora a extensibilidade das junções muculostendinosas
  • Mater o comprimento funcional normal de todos os músculos
  • Melhorar a eficiencia neuromuscular
  • Melhorar a função, manter a independência motora e reduzir as possibilidades de quedas

Segundo Gambetta (2010) existem músculos que são cronicamente encurtados devido à sua localização corporal e função que exercem. Estes músculos necessitam especial atenção e devem ser alongados por meio de movimentos funcionais- técnicas de alongamento apropriadas- para evitar o aparecimento de lesões.

As actividades o quotidiano e movimentos repetidos podem levar ao encurtamento crónico. Estão dentro deste circulo de músculos que requerem especial atenção: gémeos e solear, psoas iliaco, posteriores da coxa, adutores, trato ilibiotibial, latissimos do dorso, peitoral (maior e menor) e flexores do punho.

Dependendo do desporto ou necessidades individual, estes músculos devem ser alongados diariamente.

Personal Trainer Raquel Madeira

[email protected]/ www.raquelpersonaltrainer.com

Bibliografia

Websites:educacaofisica.com.br

fisiolucasazevedo.blogspot.co.uk

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