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Faz o que te digo e não o que eu faço

Faz o que te digo e não o que eu faço

O título deste artigo não foi escolhido ao acaso. Nada disso. Foi algo propositado, para que quem se dê ao trabalho de ler estas palavras retenha a afirmação e a aplique ao que aqui vai ser escrito.

Desde que corro e principalmente agora, que o correr parece ser moda (e ainda bem), que me deparo com várias abordagens à prática de exercício físico.

Vou-me centrar obviamente no atletismo, sem ter que fazer qualquer distinção entre o correr em estrada ou nos trilhos, neste caso.

Quando se fala em correr, aos que não o fazem, a tendência é verificar que existem dois grupos distintos, que se evidenciam dos demais: os que não correm porque simplesmente não gostam, não querem e os que não o fazem porque se escondem atrás de mil e uma desculpas. Passo a enunciar algumas:

.Epá, eu gostava de correr, mas custa um bocado. Qualquer dia começo, mas agora não;

.Não tenho tempo. Eu querer queria e não me falta vontade, mas não tenho mesmo tempo;

.Falta-me os ténis. Mas qualquer dia vou comprar uns e depois vou de certeza;

.Durante a semana não dá e levantar-me cedo ao fim-de-semana, nem pensar.

Não vou continuar, até porque, sendo uma lista extensa, depressa se cansariam de estar a lê-la.

Tendo sempre presente em mente o ditado que dá título a este artigo, deixem que vos conte um pouco de como ingressei no mundo da corrida:

Certo dia, depois de deixar de fumar e colocar de lado as saídas, pensei em fazer alguma atividade saudável. Saí para correr. O objetivo era fazer o máximo que conseguisse.

Se não me engano, corri cerca de 1200 metros, regressei a casa e pensei que ia morrer. Quase não conseguia respirar, as pernas doíam-me, a cabeça doía-me, bem, doía-me tudo.

Se desisti? Bem, lá pensar nisso, pensei. Mas do pensar ao fazer, a diferença é a força de vontade.

Continuei a correr, mesmo sem o equipamento adequado, correndo muito tempo com uns sapatos de futebol de salão, pois era o que tinha.

Continuei a correr, aumentando gradualmente as distâncias, diminuindo os tempos e (até ao dia de hoje) passei dos 1200 metros para os 55 km.

Estou a disputar o Circuito Nacional de Montanha, faço treinos semanais no mato, entre 25 a 55 km, levanto-me às 04:00 no Verão e às 05:00 no Inverno, ao fim-de-semana para treinar, isto sem contar com os treinos técnicos durante a semana.

E querem saber que mais? Trabalho por turnos, estou a frequentar o ensino superior, sou pai (presente e de que maneira) dos dois filhos mais lindos do mundo e (agora sim, para relembrar o título deste texto) treino e compito lesionado há mais de dois anos.

Tive um acidente grave que me danificou a coluna de forma irreversível, causando-me dores todos os dias sem exceção e tenho uma hérnia inguinal bilateral que me causa igualmente dores fortes, a cada passo que dou.

Por tudo isto e tudo o mais que me possam apresentar, eu interrogo-me: Com tantas razões que tenho para simplesmente desistir, não o faço. Porque continuam vocês a inventar desculpas para continuarem a dedicar-se ao sedentarismo, quando passar para este lado (por muito que custe numa fase inicial) é tão compensador?

Ninguém vos está a dizer para correrem lesionados, claro. Aliás, nem vos estou a dizer para correrem.

Comecem com umas caminhadas. Mesmo naqueles caminhos pedestres citadinos, destinados a isso mesmo. Mais tarde, façam umas caminhadas no mato. Usufruam da natureza, respirem o ar puro.

Quem sabe se mais tarde não estarão a dar os primeiros passos a correr e, mais importante, a gostar de o fazer?

Autor: Emanuel Simões praticante de Trail Running

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2 Responses

  1. Excelente relato!!! Melhoras nessa lesão. Boa sorte.

  2. Sérgio Batista diz:

    Excelente exemplo.

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