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A Dieta Macrobiótica e o Atleta

Cada vez mais surgem novas alternativas alimentares e novos conceitos, que na maioria das vezes desconhecemos e frequentemente se ouvem críticas por parte alheia por desconhecimento. E enquanto desportista ainda mais apreensivo se fica pois pensa-se logo que poderá haver défices alimentares, e posteriores problemas na performance do atleta, portanto é importante perceber a base destes conceitos alimentares.

O que é a Dieta Macrobiótica?

A macrobiótica é uma filosofia, um estilo de vida que tem como objetivo ajudar a desenvolver o potencial humano, respeitando as leis da natureza do ponto de vista biológico (através da alimentação), ecológico (respeito pelo meio ambiente), social e espiritual (respeitando o próximo). Baseia-se nos antigos princípios chineses do yin e yang, que representam forças opostas mas que se complementam, e que existem em todos os aspetos da vida e do universo. De acordo com esta teoria, a doença resulta de um desequilíbrio destas duas forças. Assim, os seus seguidores tentam resolver os problemas equilibrando o yin e o yang,  através de hábitos alimentares e mudanças no estilo de vida.

A palavra macrobiótica tem origem no grego (macro= grande e bio=vida) e significa grande vida ou a arte de grande vida,  com saúde e alegria.

A base desta arte culinária é o conhecimento da bipolaridade de todas as manifestações da vida. Há 5000 anos, os chineses deram às forças bipolares da vida o nome «yin» e «yang», que podem ser classificadas como a mão direita e a mão esquerda da criação. Embora sejam dirigidos um ao outro, atuam em conjunto e trabalham na mesma obra. Se o yin ficar mais fraco o yang torna-se mais forte e vice-versa.

O yin significa o passivo, o leve, o feminino, o dissolvente, a dilatação, a força centrífuga, o inverso, o frio etc. Pelo contrário o yang significa o ativo, o pesado, o masculino, o princípio ordenador, a contração a força centrípeta, o verão, o calor etc.

Um pouco de História

A base contemporânea da macrobiótica desenvolveu-se nos finais do séc. XIX, por um médico do exército japonês, Sagen Ishisuka, que se curou de uma doença de rins intratável pela medicina moderna, adoptando um regime alimentar baseado em cereais integrais e vegetais. E que fundou a primeira organização macrobiótica denominada de Sokuiokai. O seu trabalho foi continuado e desenvolvido por George Ohsawa, que nos anos 30 trouxe os seus ensinamentos para a Europa, sendo que a sua abordagem era uma prática alimentar macrobiótica extremamente restritiva. Em resumo, os cereais integrais e os vegetais eram os alimentos mais adaptados à espécie humana, e aqueles que mais ajudavam a criar e a manter a saúde. Os ensinamentos de George Ohsawa passaram na geração seguinte para os seus discípulos orientais, em particular Michio Kushi, que residente nos Estados Unidos. Desenvolveu um modelo alimentar de mais simples compreensão e mais adaptado à vida moderna (Alimentação Macrobiótica Padrão,) o modelo alimentar mais utilizado pela maioria dos praticantes macrobióticos modernos.

Em que se baseia?

A alimentação macrobiótica defende um equilíbrio entre estes dois conceitos, ou seja se ingerirmos um alimento mais yin deveremos compensar a dieta com outro alimento mais yang. Os alimentos ideais para a macrobiótica são os que se aproximam de uma relação sódio/ potássio semelhante ao nosso organismo, isto é, 1 parte de sódio para 5 partes de potássio.

Nos cereais os fatores yin e yang estão bem equilibrados, por isso o cereal deve ser o núcleo central da alimentação macrobiótica, além dos cereais os macrobióticos usam os legumes, as leguminosas e as frutas para completarem as suas necessidades alimentares. Nestes alimentos há um ideal dos fatores yin e yang e relação sódio/ potássio.

Embora a macrobiótica tradicional não permita o uso de produtos animais, hoje em dia muitos macrobióticos usam pequenas quantidades de alimentos ricos em proteínas animais, com o intuito de suplementar as proteínas vegetais.

A alimentação macrobiótica deverá ser composta diariamente pelos seguintes alimentos:

  • Cereais integrais: 50-60%: arroz integral, cevada millet, aveia, milho, centeio, trigo-sarraceno, cuscuz, bulgur etc.
  • Vegetais diversos: 25-30%: cebolas, cenouras, abóbora, brócolos, couves, nabos, agrião, couve-de-bruxelas, cogumelos, germinados, nabiças, entre outros.
  • Leguminosas e algas: 10 a 15% :grão, lentilhas, diversos tipos de feijões; derivados das leguminosas como tofu, tempeh, natto, seitan e algas (wakame, kombu, arame, hiziki, nori, etc.).
  • Sementes e oleaginosas (sementes de sésamo, de abóbora, de girassol; amendoins, amêndoas, pinhões, nozes);
  • Frutos da estação e da área geográfica local (maçãs, pêras, morangos, castanhas, pêssegos, melão, melancia, uvas, etc.);
  • Peixe, preferivelmente de carne branca (pescada, linguado, robalo, cherne, dourada, tamboril, etc.).
  • Bebidas diversas, como chás tradicionais, cafés de cereais, sumos de vegetais ou de frutos. Em caso de boa saúde ou em situações especiais, pequena quantidade de bebidas alcoólicas como cerveja, vinho ou whisky de malte.
  • Óleos e temperos como óleo de sésamo, de girassol, de milho, azeite e temperos como vinagre de arroz, vinagre de ameixa, gengibre, algumas ervas aromáticas entre outros. Os óleos devem ser de primeira pressão a frio.
  • Os condimentos principais são o gomásio (sementes de sésamo com sal), umeboshi (pickle de ameixa), tekka (condimento produzido a partir de diferentes raízes), sementes de sésamo, condimento de cebolinho entre outros.
  • Sopa 1 a 2 vezes por dia: de vegetais mas podem também incluir cereais, leguminosas, algas, peixe. Uma boa opção é a sopa miso

Os macrobióticos defendem que as refeições devem ser realizadas num ambiente calmo, cómodo, onde o individuo possa tomar verdadeira consciência da importância da alimentação, para a preservação da sua integridade física e psíquica. A mastigação é um ponto muito importante onde deve ser feita calmamente e só após 50 mastigações, é que se deve engolir para uma boa digestão dos alimentos.

Agora pensamos nós…50 mastigações? Na realidade quantos de nós tem mesmo uma refeição calma, onde realmente saboreamos os alimentos? O mais comum é nós mastigarmos rápido que quase nem saboreamos os alimentos, e onde por vezes ficamos tão cheios, e maldispostos que nos estraga umas horas ou mesmo o dia todo. Tenho a certeza que muitos de nós nos revemos aqui.

Alimentos a evitar

Alimentos que se devem consumir esporadicamente ou se possível eliminar por completo são: carnes, ovos, lácteos, açúcar, vegetais e frutos de origem tropical, café e chá preto, alimentos refinados e tratados com químicos.

Benefícios deste tipo de dieta

Um regime alimentar macrobiótico apresenta um teor baixo de gordura, de colesterol,  de calorias e um elevado teor de fibras e de hidratos de carbono complexos, contribuindo para diminuir a tensão arterial e os níveis de colesterol.  A culinária também faz parte do regime macrobiótico, pelo que é importante aprender a confecionar os alimentos descritos.

Será esta dieta segura para desportistas?

Sem dúvida a adoção deste estilo de alimentação diminui a quantidade de maleitas no organismo, comparando com a atual dieta cheia de produtos refinados, carregada de sal, e produtos transformados.

Particularmente enquanto atleta e com uma alimentação semelhante à macrobiótica mas não tão rígida, (evito produtos transformados, não como carne, não bebo leite, não como fritos e como essencialmente legumes e leguminosas etc). Sem dúvida que acho que ela nos traz benefícios, em termos de bem-estar físico e sem dúvida que é muito mais saudável e nutritiva. Mas acho que não devemos adotar uma dieta só porque «está na moda» ou por outro motivo que não seja o bem-estar físico de cada um, e a identificação com o conceito, não devemos ser extremistas e pôr em causa o nosso bem-estar.

O mais importante é perceber se está a ingerir as quantidades corretas de cada grupo alimentar, e ter uma alimentação o mais variada possível para que não lhe faltem nutrientes.

Cada vez há mais atletas a adotar estes estilos de alimentação, e isso não refletiu nenhum recuo nos seus objetivos desportivos, bem pelo contrário.

Bibliografia

  • e-macrobiotica.com/
  • celeiro.pt/cuide-de-si
  • //ilovebio.pt/

Raquel Madeira

Empreendedora de Fitness Online

Agosto de 2018

raquelmadeira[email protected]

Raquel Madeira Health Solutions Coach

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