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Teresa Vaz Carvalho

Entrevista à Teresa Vaz Carvalho

Caros leitores, o Corre Salta Lança esteve à conversa com a mais recente Campeã de Portugal do salto em comprimento a jovem Teresa Vaz Carvalho, nesta pequena entrevista a jovem atleta do Benfica de 18 anos revelou-nos como começou na prática do atletismo, na importância da sua transição para o Benfica e nas pessoas que a rodeiam, e muitas outras coisas mais que podem ler na entrevista que se segue.

Teresa Vaz Carvalho

Teresa Vaz Carvalho

C.S.L – Comecemos pelo princípio, és filha de dois ex-atletas e a influência na tua família para a prática do atletismo deve ter sido óbvia, isso foi um fator decisivo para começares a praticar atletismo ou ainda ponderaste praticar outra modalidade?

T.V.C – Devido ao passado desportivo dos meus pais a prática para o desporto em geral sempre foi óbvia, a minha infância foi passada a experimentar os mais variados tipos de desportos (desde natação, ginástica, patinagem, balé, equitação…) mas nunca senti realmente que eram essas que queria praticar acabando por não permanecer muito tempo em nenhum.

O Atletismo surgiu na verdade porque depois de a minha mãe concluir a sua carreira como atleta costumava-mos ir todos em família aos fins-de-semana para o Estádio Nacional onde ela fazia umas corridas de manutenção. E eu, ao deparar-me com aquele ambiente de treino tentava sempre que me deixassem praticar, mas gozavam sempre todos comigo e diziam que eu com 5 anos era muito nova e muito magra! Lembro-me até de o Professor Fonseca e Costa dizer que quando eu tivesse 36kg me deixava treinar com ele (isto porque era um peso ainda distante daquele que eu tinha).

Mais tarde, no 5ºano entrei para a Escola Salesiana de Manique e acabei por integrar o Clube de Atletismo pois uma amiga tinha sido convidada por ter ganho o corta-mato da escola e eu lá fui a reboque para não ficar sozinha nos intervalos! Mas nunca nada a sério, devia aparecer lá 1 vez por mês. Entretanto no 7º ano apercebi-me que até era rápida e participei no Mega Sprint da escola, depois no regional até que fui medalhada no nacional! E foi aí que tudo começou! A verdade é que os meus pais não tiveram influência nisto, e mostraram-se bastante surpreendidos quando cheguei a casa e disse: ‘’ Olhem, é só para dizer que treino Atletismo nas horas de almoço na escola e Sábado tenho uma prova!’’

C.S.L – Desde cedo que mostraste talento tanto para a velocidade como para os saltos, tendo como companheiros de treino o Marcos Chuva e o Marcos Caldeira nos Salesianos de Manique, achas que isso foi um fator decisivo para apostares mais no salto em comprimento?

T.V.C – Acho que é normal sendo eu uma criança e só os conhecendo a eles no mundo do atletismo, de início criar um desejo de ‘’ser como eles’’. Mas deveu-se muito ao facto de a Pista dos Salesianos ter pouco mais de 150m e por isso tornar-se difícil fazer séries longas ou velocidade acima dos 60m, concentrando tudo mais nas caixas de areia e nos colchões de saltos em que sem dúvida o Professor Fernando Pereira é perito!

C.S.L – Muitos jovens talentos da tua idade por vários motivos não atingem o nível e não têm a evolução sustentada que tu obviamente estás a ter, os melhores clubes nacionais atualmente estão praticamente quase todos no sul do país, se representasses um clube a norte do país com menos condições das que o Benfica te proporciona, achas que terias na mesma a evolução que estás a ter ou eras mais um talento perdido por falta de apoios?  

T.V.C – Esta pergunta é difícil de responder porque na realidade o Benfica dá-me todo o apoio e as condições necessárias para treinar e foi mesmo em busca desses apoios que eu integrei o clube com o objectivo de progredir cada vez mais. Mas, não passa apenas pelo clube, o treinador e o apoio familiar são igualmente importantes, e a minha progressão deveu-se sem dúvida não só ao SLB mas também a toda a equipa que me envolve desde o meu treinador João Abrantes, treinadora adjunta Isabel Abrantes, grupo de treino, apoio médico e familiar.

Temos vários exemplos de atletas que são/foram ícones do nosso atletismo nacional ou até mesmo do atletismo mundial e que treinaram a vida toda sem metade dos apoios que actualmente temos… Mas eu pessoalmente acho que seria bastante difícil para mim evoluir sem os apoios que tive nestes dois anos no Benfica principalmente a nível médico.

Teresa Vaz Carvalho com o seu treinador João Abrantes

Teresa Vaz Carvalho com o seu treinador João Abrantes

 C.S.L – Este ano já representaste o Benfica em várias competições importantes, e nos Campeonatos de Clubes venceste mesmo a Naide Gomes, em que medida esta vitória foi importante para ti?

T.V.C – Em primeiro lugar a vitória foi importante para mim porque me superei a mim mesma e na altura cheguei ao recorde pessoal de 6.13m que posteriormente voltei a superar, mas também porque é a competição do ano que os clubes dão mais importância e por isso todos têm os olhos postos em nós, apesar de não estar nada a espera fiquei muitíssimo feliz por ter ganho.

Mas, acho que me venci a mim e é disso que estou sempre à procura, da auto-superação. Para vencer a Naíde é preciso fazer 7.12m e isso ainda está longe.

C.S.L – Deixaste de ser uma promessa do salto em comprimento para passar a ser uma certeza, todos os olhos vão estar cada vez mais postos sobre ti e sobre as tuas prestações, achas que esse tipo de pressão de seres uma das melhores atletas nacionais sendo tu ainda tão jovem, te pode influenciar negativamente no futuro?

T.V.C – Penso que não, apenas se me deslumbrar com isso, temos exemplos no nosso país de Juniores que não progrediram em seniores por isso penso que tenho de ter bastante calma, acreditar e trabalhar. O meu sonho é ser uma atleta de nível internacional apesar de todas as limitações que tenho e por isso gosto de me comparar com o resto do mundo e não olhar apenas para o nosso país. Este ano consegui ser a Melhor Portuguesa, 10ª do Ranking da Europa e 16ª do Mundo. Acho que isto apenas me dá incentivos para treinar mais e melhor.

C.S.L – A tua presença no Europeu de juniores foi bastante positiva, bateste o teu recorde pessoal por larga margem, o que de melhor e pior tiraste em termos de experiencias desta tua presença no Campeonato Europeu?

T.V.C – Acho que foi uma experiência muito enriquecedora a todos os níveis, concentrei-me e a abstrair-me de tudo o que me rodeava. Ia mentalizada e sabia que mesmo não tendo das melhores marcas tinha treinado todo o ano para estar lá e não ia falhar independentemente das condições com que me deparasse.

Teresa Vaz Carvalho nos Europeus de Juniores

Teresa Vaz Carvalho nos Europeus de Juniores

 C.S.L – O atletismo tal como outras modalidades em Portugal tem pouquíssimos apoios e pouca visibilidade em termos de comunicação social, se tivesses oportunidade de ir treinar e estudar para um país onde o atletismo é um dos deportos com mais visibilidade tal como os Estados Unidos, irias para fora de Portugal à imagem do que já fez a Patrícia Mamona ou era uma hipótese que nem sequer ponderavas? 

T.V.C – Até ao momento nunca me surgiu essa hipótese, confesso que pensei nisso quando era mais nova, mas actualmente não acho que seja necessário, tenho o apoio que necessito no Benfica e confio plenamente no meu treinador e no trabalho que estamos a desenvolver. O Nelson e a Naide são exemplos que no nosso país é possível desenvolver capacidades para chegar ao topo internacional. Para além do mais a minha família, namorado e amigos são muito importantes no meu dia-a-dia e seria muito difícil viver sem eles.

 C.S.L – Como te defines como atleta?

T.V.C – Sou ambiciosa e tenho sonhos altos! Sou muito resmungona mas sou dedicada.

 C.S.L – Quais são os teus objetivos futuros?

T.V.C – A curto prazo o meu objectivo é o Mundial de Juniores que se vai realizar no próximo ano nos Estados Unidos da América. Quero ser novamente finalista!

C.S.L – Antes de mais parabéns pela grande época que tiveste, agora para finalizar gostaria que respondesses a umas perguntas de resposta rápida:

  • Música favorita ou grupo favorito? Rihanna e Beyoncé

  • Comida favorita? Tenho várias… gosto de Sushi!

  • Destino de férias de sonho? Bora Bora

  • Cor favorita? Laranja

  • Objeto indispensável para transportar no dia-a-dia? Telemóvel

  • Ídolo ou atleta de referência? Tenho vários… por exemplo: Jessica Ennis, mede 1,65m e destaca-se em todas as provas!

Espero que tenham ficado a conhecer um pouco melhor a Teresa Vaz Carvalho, uma jovem que tem os pés bem assentes na terra e que sabe bem o que quer, uma jovem saltadora que esta época foi a grande referência do salto em comprimento em Portugal e que detém já um recorde pessoal a 6.35m, o Corre Salta Lança dá os parabéns à Teresa Vaz Carvalho pela grande época que teve, e espera que esta seja apenas a primeira de muitas conversas sobre os seus sucessos futuros.

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2 Responses

  1. parabens joaquim carvalho pela tua filha , e no benfica abraço.

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