Início À conversa com Carlos Nascimento

Carlos Nascimento

Entrevista a Carlos Nascimento 

Caros seguidores! Depois de já ter estado à conversa com a Ana Dulce Félix e com o Rui Borges, desta feita falei com o mais jovem prodígio da velocidade em Portugal o Carlos Nascimento.

Carlos Nascimento
Carlos Nascimento

O Carlos Nascimento para quem não sabe, é um jovem velocista nortenho com um enorme talento, e apesar dos seus 17 anos mostra já enormes qualidades desportivas e humanas, na época passada foi Campeão de Portugal nos 100 metros, um feito notável sendo ele ainda Júnior, numa pequena conversa o Carlos Nascimento revelou como se iniciou na prática do atletismo, da importância das pessoas que o rodeiam na sua ainda jovem carreira, dos seus objectivos, etc, uma entrevista que poderão ver já de seguida!

C.S.L – Comecemos pelo princípio, como foi que começaste a praticar atletismo, e quem te influenciou para a prática da modalidade?

C.N – Comecei a praticar atletismo na escola. Envolvi-me no projeto “Desporto Escolar” e, observando as minhas capacidades, fui solicitado a ir treinar na Faculdade de Desporto e Universidade do Porto, num clube de nome Escola do Movimento. Este pedido foi feito pelo meu atual treinador, José Silva. Aderi, com agrado, e acabei por ficar.

Carlos Nascimento
Carlos Nascimento

C.S.L- Quando iniciaste a prática do atletismo, começaste logo a fazer velocidade, ou ainda foste fazendo outras disciplinas, como é hábito nos jovens que se iniciam na modalidade?

C.N – No meu primeiro ano de atletismo, tal como é esperado, fui experimentando um pouco de tudo. No entanto, após testes nas diversas disciplinas, verificou-se que me destacava na velocidade e salto em comprimento. A partir desse momento – mais ou menos a meio da minha primeira época enquanto atleta – o meu treinador começou a direcionar os meus treinos para a velocidade e salto.

C.S.L – Representaste um clube que foi fundado não há muitos anos a Escola de Movimento, que tem feito um excelente trabalho na formação de jovens talentos, sentes que a tua evolução como atleta, tem a ver com o grande trabalho que os responsáveis da Escola de Movimento têm vindo a fazer?

C.N – Sim, este clube foi o maior responsável pelo meu desenvolvimento enquanto atleta. A Escola do Movimento proporcionou-me as condições ideais de treino para que eu pudesse aperfeiçoar as minhas capacidades. Neste clube pratica-se por paixão ao desporto, mais particularmente, ao atletismo. O trabalho que se tem vindo a desenvolver, tem circulado à volta de novas técnicas de treino, as quais contribuam, de forma significativa, para o desenvolvimento de cada atleta que lá treina. Desta forma, considero que a passagem por este clube foi um dos principais marcos na minha carreira enquanto atleta; foi como que uma pista de lançamento para o meu futuro.

C.S.L – Representaste a associação do Porto e competias mais no norte do País, há uns anos atrás a qualidade dos velocistas nacionais estava mais repartida, havia grandes “duelos” entre os clubes do norte e do sul, hoje em dia isso não se verifica, os melhores velocistas nacionais estão praticamente todos no sul a treinar e a competir, sentes que essa falta de competição está de alguma forma a afetar o teu ganho de experiência, e a tua evolução?

 C.N – De facto, a maioria dos melhores velocistas portugueses encontram-se a treinar e competir pelo sul. Dum certo modo, isso é relevante para a minha prestação durante uma época, uma vez que tenho que me deslocar diversas vezes ao sul, numa tentativa de alcançar mínimos para algum campeonato. No entanto, os meus resultados em provas não estão diretamente dependentes dos meus adversários, mas sim do treino. Se os treinos renderem, se conseguir superar-me a cada treino e completar todos os objectivos propostos pelo meu treinador, então não será difícil alcançar as marcas que desejo.

C.S.L – Transferiste-te para o Sporting esta época, vais representar um dos grandes clubes do nosso atletismo, sendo tu tão jovem achas que o peso da camisola te poderá afetar nas competições mais importantes, já é sabido que Sporting tem ambições de títulos?

C.N – De modo algum. Claro que a transferência para o Sporting Clube de Portugal é um marco muito importante nesta fase da minha carreira, mas não considero que a camisola vá, de alguma forma, pesar e alterar a minha prestação. Como é de esperar, um clube como o Sporting, tem grandes objectivos; sendo agora seu atleta, apenas me compete ajudar o clube a atingir os seus objectivos, tal como o clube me vai ajudar a alcançar os meus.

C.S.L – Falemos agora um pouco da tua primeira grande competição internacional, o Mundial de Juniores onde tiveste uma participação muito positiva, obviamente deve ter sido uma grande experiencia para ti, qual ou quais os aspectos que tu consideras que foram mais positivos na tua participação?

C.N – O facto de ser o sétimo melhor mundial júnior é algo que me deixa orgulhoso. Sem dúvida que considero este um dos campeonatos mais importantes da minha carreira. Neste campeonato, crescemos não só enquanto atletas, mas também enquanto cidadãos. A convivência com os melhores a nível mundial só nos faz ganhar experiência e perceber o quão elevado é o nível internacional. Enquanto cidadãos, convivemos com diversos povos, com diferentes culturas e isso permite-nos ser mais cultos e saber como agir em diferentes situações, em diferentes países.

C.S.L – Na época passada estiveste muito perto do recorde nacional de juniores dos 100 metros que ainda pertence ao Ricardo Alves, recorde esse que está perfeitamente ao teu alcance, vai ser um dos teus objectivos para a próxima época?

C.N – Certamente será. A marca que fiz, já por duas vezes, encontra-se apenas a dois centésimos do atual recorde nacional de juniores. Sei que é difícil, mas não impossível. Trabalharei arduamente para melhorar este recorde.

 C.S.L – Já é sabido que os atletas nacionais, comparando com atletas de outros países, têm menos condições de treino e apoios, se te surgisse um convite do estrangeiro para treinar e estudar, à imagem do que já acontece com a Patrícia Mamona, ponderavas sair de Portugal, ou era uma proposta que recusavas sem pensar?

C.N – É verdade que as condições de treino em Portugal não são as melhores. Mas eu nem tenho muitas razões de queixa. Treino numa pista com diversos corredores, com ginásio, com todo o material necessário. Ir para o estrangeiro envolveria grandes mudanças na minha vida. Provavelmente, não aceitaria. Teria que deixar cá a minha vida pessoal, acabando por dar prioridade à profissional e isso não era do meu agrado. É também de recordar que, estando agora no Sporting Clube de Portugal, esse tipo de ajudas não será problema.

C.S.L – És já considerado por muitos um prodígio da velocidade nacional, há muitos atletas que ainda em idade jovem fazem marcas extraordinárias, mas depois não conseguem fazer a transição normal para o escalão sénior por variadíssimas razoes, já sentes um pouco a pressão de seres um dos melhores velocistas nacionais mesmo sendo ainda tão jovem?

C.N – De certa forma, ser o melhor velocista nacional apenas com 17 anos é uma boa fonte de pressão. Mas de modo algum isso vai alterar a minha forma de estar perante os treinos, as provas e a vida. Pelo contrário, isso é um motivo de orgulho e de luta para repetir aquilo que fiz a época passada.

C.S.L – Para finalizar, parabéns pelo teu título nacional de 100 metros absolutos, e pela tua participação no Mundial de Juniores, depois da excelente época que tiveste, a partir de agora quais são os teus objectivos a curto e longo prazo, e qual é o teu maior sonho a nível desportivo?  

 C.N – Antes de mais, obrigado pelo reconhecimento. Ao longo desta época, e das próximas, tenho diversos objetivos para os quais vou lutar. A nível individual e a curto prazo, procuro a obtenção do recorde nacional de juniores de 60m, de 100m, de 200m; obtenção de mínimos para o Europeu de Juniores no setor do salto em comprimento; ser medalhado neste Europeu. A longo prazo, procuro estar nos diversos internacionais que se realizarão; lutar por ser Campeão de Portugal na disciplina de 100m e 200m. Por fim, a nível coletivo, pretendo ajudar o Sporting Clube de Portugal em todos os seus objetivos, lutando arduamente para que os possa cumprir na plenitude.

Carlos Nascimento
Carlos Nascimento

Espero que tenham ficado a conhecer um pouco melhor o Carlos Nascimento, e algumas das suas qualidades humanas e desportivas, um jovem velocista nortenho que já deixou de ser uma promessa do nosso atletismo, para ser uma certeza, aproveito uma vez mais para lhe dar os parabéns pela excelente época passada, e desejar-lhe as maiores felicidades para o brilhante futuro que se avizinha para ele, espero que esta tenha sido a primeira de muitas conversas, para falar dos seus êxitos desportivos e pessoais.

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